Após cotas, universidades federais ficam ‘mais populares e negras’, diz estudo

Dados divulgados na tarde desta quinta-feira (18) pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostram que, após a entrada em vigor da Lei de Cotas para os vestibulares das universidades e institutos federais, o perfil socioeconômico e cultural dos estudantes se diversificou. Entre as estatísticas do estudo estão números que mostram um aumento no número de estudantes negros (pretos e pardos), de famílias de baixa renda e um leve aumento na idade média dos graduandos.

Essa é a quarta edição da pesquisa “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Instituições Federais de Ensino Superior Brasileiras”, idealizada pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace), da Andifes, e realizada desde 1996.

Entre as duas edições anteriores da pesquisa e a atual, alguns dados mostram indícios que, segundo Leonardo Barbosa, coordenador nacional do Fonaprace, indica que a universidade federal “caminha na direção de espelhar a composição social do país”.

Durante a apresentação dos dados, Ângela Maria Paiva Cruz, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e presidente da Andifes, defendeu a manutenção da gratuidade no ensino público e a ampliação do orçamento. Segundo ela, os resultados positivos são frágeis e facilmente reversíveis. “A defesa é de uma universidade pública, gratuita e de qualidade. Acreditamos e trabalhamos para que isso não mude, tendo em vista que o Plano Nacional de Educação (PNE) é uma escolha da sociedade brasileira. Temos temores em relação às mudanças de governo, mas não ficamos resguardados nessa temeridade”, disse Ângela.

De acordo com o estudo, três fatores podem ter influenciado a “mudança significativa” do perfil dos estudantes: a mudança no perfil do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2009, quando ganhou caráter de vestibular, a adesão de cada vez mais instituições ao Sistema de Seleção Unificado (Sisu), e a Lei de Cotas, que saiu do papel em 2013.

Diversidade racial
Um dos exemplos dessa mudança está na diversidade racial dos estudantes de graduação das federais, em comparação com a população brasileira. Em 2003, primeiro ano da pesquisa onde há dados suficientes para fazer a comparação, 51,96% da população do Brasil se autodeclarava branca. Mas, nas instituições, a porcentagem de estudantes autodeclarados brancos era de 59,4%.

Por outro lado, os brasileiros pardos representavam 41,47% da população do país, mas só 28,3% dos estudantes das instituições federais. Em 2014, ano dos dados mais recentes divulgados pela pesquisa, 45,05% do total de brasileiros eram pardos, e, dentro das universidades, a população parda representava 37,75% do total.

No mesmo período, o número de estudantes de graduação praticamente dobrou, de 469.848 para 939.604. Já considerando a população negra (preta e parda), esse crescimento foi ainda maior, de 160.527 para 446.928, o que representa um aumento de 178%.

O estudo explica, porém, que não é só a reserva de vagas para estudantes pretos, pardos e indígenas que deve responder pela mudança no perfil. Um dos fatores que deve ser levado em conta, de acordo com a Andifes, é o “amplo movimento de reinterpretação do processo de autodeclaração, com os estudantes mudando sua visão sobre sua cor ou raça de branca para preta ou parda”. De acordo com a associação, no entanto, “seja uma revisão de autodeclaração nas mesmas magnitudes do visto no restante da sociedade ou uma em menor proporção por conta da elevada formação educacional, a adoção generalizada de política de cotas se destaca como evento mais marcante em capacidade de produzir essa nova dinâmica”.

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Fonte: G1.globo

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